O ESTADO DE SÃO PAULO

SÉRGIO TELLES TERÁ COLUNA NO CADERNO 2
EM TEXTOS A CADA DOIS SÁBADOS, PSICANALISTA E ESCRITOR BUSCARÁ RELAÇÕES ENTRE SUAS ÁREAS DE ATUAÇÃO

17 de fevereiro de 2011 | 0h 00
Raquel Cozer – O Estado de S.Paulo
Por pouco, Sérgio Telles não largou a faculdade de medicina para se tornar jornalista. Selecionado entre uma turma de jovens para integrar a primeira equipe da Veja, em 1968, achou mais prudente concluir o curso em sua cidade natal, Fortaleza, antes de arriscar a vida em São Paulo. Acabou atuando só alguns meses como correspondente da publicação antes de se formar, em 1970, mudar-se para a capital paulista e se especializar em psicanálise.

Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE
Crônicas. Autor de ficção e não ficção quer testar o formato
A relação com a escrita, no entanto, o acompanhou por toda a vida. Aos 65 anos, Telles tem sete livros publicados, sendo três de ficção e quatro de psicanálise – entre estes, O Psicanalista Vai ao Cinema (2004), um claro sinal de seu interesse cultural. E estreitará o laço entre essas duas áreas com a coluna que estreia depois de amanhã no Caderno 2, alternando-se aos sábados com a de Marcelo Rubens Paiva.

“Sempre tive interesse nas relações entre psicanálise e cultura, tal como estabelecido por Freud e seguido por inúmeros psicanalistas, e esse será meu eixo de referência. Com esse olhar, comentarei produções culturais e sociais, fatos do dia a dia, temas de interesse público”, diz o psicanalista e escritor, que também espera usar o novo espaço para testar seu talento num dos mais clássicos gênero do colunismo brasileiro: “Pretendo também “cometer” minhas crônicas, que ninguém é de ferro…”

Com muitos artigos veiculados na imprensa ao longo da carreira, Telles marcou presença na história do Estado com resenhas e contos publicados a partir dos anos 80, além de colaborações para o Jornal da Tarde. “É uma honra fazer parte do grupo de colunistas do jornal. Vejo o convite como o desdobramento ideal de uma longa relação.”

Algumas narrativas que vieram a público nas páginas do Estado, aliás, foram somadas ao primeiro livro de Telles, O Décimo Dia e Outros Contos (1988), reeditado então como Mergulhador de Acapulco (1992). Dez anos depois, o autor recebeu o prêmio de melhor livro de contos de 2002 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) por Peixe de Bicicleta. A mais recente obra de ficção é Mistura Fina (2004). “Há grande proximidade entre psicanálise e literatura. Ambas se apoiam na linguagem em sua exploração dos abismos da vida psíquica. Ambas simbolizam e dão forma ao inarticulado, criam sentidos, tornam compreensíveis atos e sentimentos humanos que transcendem a lógica racional”, resume.

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